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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Como saber que um alimento é bom ou ruim para mim?


Vou contar uma história: Era uma vez um ancião muito antigo, que morava em uma aldeia, um  vilarejo. Ele era o maioral dentro daquela comunidade, trazia toda a sabedoria necessária para que todos vivessem em paz e harmonia. Essa era uma prática muito comum em pequenos vilarejos e também pequenas aldeias. Os anciãos eram os médicos, eram os sábios e algumas vezes também eram a lei.

Pois então esse ancião trabalhava para o seu próprio equilíbrio, pois enfim ele deveria sempre estar centrado no aqui e agora para conseguir levar a palavra de sabedoria a quem viesse buscar.

Um dia, chegado o momento da ceia, ele está sentado em uma mesa farta de alimentos, que é oferecido a ele como agradecimento por todas as palavras de sabedoria que leva as pessoas, ele vive de oferendas tanto em moeda quando em objetos e alimentos que o sustentam. Essa mesa foi posta para ele, preparada com todos os recursos disponíveis em ervas e temperos, para dar mais sabor aos alimentos e também tornar mais especial.

Mas enfim ele senta nessa mesa farta e observa toda essa quantidade de alimento, e por um momento sente que não deve se alimentar. Ele não está com fome, pois superou o instinto de seus sentidos primários do corpo, portanto não é levado pelo impulso do olfato ou mesmo do que os olhos podem ver na beleza dos alimentos que foram colocados especialmente para ele. Ele então se levanta e se afasta da mesa, sabendo que a sua consciência o diz para não se alimentar.

Ele se afasta e se retira em um espaço onde pode ficar sozinho. Decide silenciar e permanecer em paz, pois é para isso que a sua consciência o atrai. Entra em profundo estado meditativo e então é colocado diante de sua tela mental uma cena: dentro do vazio da consciência, foi capaz de receber essa visão, que o mostrou um animal sendo perseguido. Esse animal procurava alimento e, portanto, havia saído da sua área segura, e então resolve ir se alimentar em áreas mais distantes para saciar a sua fome.

O animal vai até as áreas mais distantes e se farta de alimento. Então, satisfeito, mas ainda com o corpo pesado e cansado devido ao processo metabólico digestivo, acaba por permanecer ali por mais uns instantes. Não percebe que ali era o habitat de um predador. Que então o ataca em seu momento de deleite após a refeição. E acaba por virar a refeição de seu predador.

Esse animal, movido pelo instinto físico, pelo faro, atraído para áreas longínquas, acabou por se arriscar, pois não é capaz de ouvir a voz de sua consciência. Então acaba por arriscar a sua vida, e sucumbe nas garras do predador.

Então o sábio ancião reflete sobre a cena, sabendo que o animal não é capaz de alimentar-se pela intuição. Ele sabe qual alimento o faz bem, e assim foi em direção a esse alimento, não errou em encontrar algo que realmente supriria as necessidades do seu corpo em equilíbrio, mas não foi capaz de salvar-se das garras do predador.

O predador, é o instinto animalesco, que faz parte do corpo físico, e da experiência material, mas não é quem deve ditar as regras dentro da nossa casa, que é o nosso corpo. Quem dita as regras é a consciência, ciente de que o corpo e os instintos trazidos por ele são apenas parte dessa experiência, mas a consciência é eterna e pode se manifestar em várias formas de vida, e que nesse momento se manifesta no corpo a habitar esse planeta. O animal não era capaz de ouvir a sua consciência, mas sim de ouvir o instinto do corpo físico.

O sábio, alcançando o seu estado de equilíbrio, capaz de ouvir a voz de sua consciência, sabe que ao negar o alimento sobre a mesa, estava seguindo o chamado de sua alma na direção correta, independente dos instintos do corpo. Ele então compreendeu que aquele alimento o faria mal, poderia adoecer o seu corpo ou mesmo matá-lo. Enfim, ele compreendeu que o chamado da consciência sempre nos levará em direção ao alimento que nos fará bem, ou mesmo a não se alimentar, deixando de alimentar-se, mas preservando o perfeito equilíbrio do conjunto todo que compreende os corpos sutis e o físico, que estão a manifestar a nossa consciência.

Dessa forma, compreendemos que não há alimento bom ou ruim, que possa ser colocado nesses adjetivos para toda a humanidade, mas sim que cada um, ouvindo a voz de sua consciência em cada momento, poderá trazer para dentro do seu organismo apenas o que fará bem. E que as circunstâncias que envolvem o ato de alimentar-se de algo não estão restritas apenas a substância contida no alimento, mas sim na experiência daquele momento. Por isso, o mais importante é estar ancorado no aqui e agora.

Você pode se alimentar de algo que foi preparado de uma forma que o faria mal, mas se em uma segunda experiência se alimentar desse mesmo alimento preparado de forma diferente, pode o fazer bem.

Em um dia você está sendo intuído que deve repousar, mas acaba por forçar-se a sair com os amigos, e então manifesta uma doença que indica que foi exposto a atividades desnecessárias em um momento em que deveria estar em repouso. Assim é quando ouvimos a intuição, impedindo que as experiências da matéria ditem o nosso caminho, mas sendo apenas o que somos, sem preconceito e sem julgamento, ou mesmo sem buscar por explicações, mas confiando que o que chega a nós através da consciência é sempre o melhor caminho.

Alimentar-se de forma saudável não é apenas algo relacionado ao alimento em si, mas na experiência de alimentar-se. E para que uma experiência nos faça bem e não mal, necessitamos nos desvincular de crenças e padrões que trazemos enraizados na mente. Devemos assumir a nossa presença Eu Sou em nós, permitindo que direcione as nossas vidas em direção a união com essa que é a nossa verdade, dissolvendo cada vez mais aquilo que pensamos ser e que nada mais é do que uma personalidade criada a partir de tais crenças e do meio onde vivemos.

Não é necessário seguir padrões ou regras, ou mesmo aquilo que aprendemos ser como certo ou errado dentro da sociedade onde vivemos. Se deixamos uma mesa farta e damos as costas a ela porque sabemos que não devemos nos alimentar naquele momento, essa atitude pode ser julgada como falta de gratidão pelo alimento que foi ali colocado, julgamento que é trazido por crenças religiosas impostas pela sociedade. Mas que são apenas crenças e julgamentos, que não podemos deixar que nos carreguem para um grande padrão de forma pensamento planetário onde todas as pessoas são levadas como uma grande onda para as mesmas ações e erros.

Podemos ser aqueles que decidiram andar em direção oposta a grande onda, e então terão a possibilidade de desvincular-se da personalidade construída por aquilo que acreditavam ser, mas que era feita apenas de crenças limitantes. Dessa forma permanecemos livres e sabemos o que faz bem ou mal a nós, de acordo com a voz de nossa consciência.

Michele Martini - 01 de janeiro de 2021
Fonte: www.pazetransformacao.com.br