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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

A Energia dos Alimentos - Um guia para a alimentação intuitiva - Cap 12 - Precisamos deixar de comer carne?


O precisar de algo ou deixar de fazer algo é, por si só, algo arrebatador da consciência. Tudo o que é trazido como uma busca, nos tira da busca. O “precisar” de algo é um condicionamento da mente a se manifestar, e que impede a consciência de ser ativa em nossas vidas.

Deixar de comer carne é algo que acontecerá naturalmente a todo aquele que segue a caminhada da sutilização de seus corpos. Alguns alimentos já não são mais necessários a certos organismos, mas isso ainda não é compreendido pela medicina e a ciência, que padroniza a todos em um molde único, em um modelo de alimentação ideal.

O ato de carregar a cobrança de parar de comer carne, e o fato de saber que o afastamento em relação a esse alimento virá de forma natural na medida que a alma ascensiona, acaba trazendo certos pensamentos preconceituosos e é o que cria essa necessidade, o precisar.

A carne é parte de nós, como somos parte da carne. E assim ela vive em nós, ela é ativa, está o tempo todo a se transformar, a sofrer modificações, na medida que limpamos as nossas restrições. Dentre as restrições que trazemos estão as crenças. Daquele que acredita que se alimentar de carne é algo inaceitável para o caminho da ascensão. Mas essa crença carregada se torna o obstáculo à sua libertação.

Toda transformação que ocorre no corpo, deve ser recebida e acolhida de forma gradativa, e compreender que as mudanças de hábitos e comportamentos são apenas uma consequência da nova vibração, mas que devem vir de forma leve, a transformar o ser sem necessidade de sofrimento, sem brutalidade, castigo ou punição.

O ato de impedir a si mesmo de levar por mais algum tempo certos comportamentos e formas de se alimentar, impedindo bruscamente o que chega como necessidade do corpo, é um ato de brutalidade contra si mesmo, contra o corpo que, sutilizando gradativamente, está o tempo todo a se transformar em uma nova forma de energia, e, portanto, atrairá novas energias. Mas tudo ocorre de forma natural e leve.

Despertamos o olhar amoroso diante da vida, deixamos de carregar o sentimento de culpa que nos impede de ser o que a nossa essência irradia, e com isso, nos libertamos de antigos comportamentos e alimentos que impediam a nossa caminhada, deixando-nos a vibrar em nível mais denso por muito e muito tempo.

Quando o sentimento despertado no coração é o de total desprendimento de julgamento ou de crenças, a si mesmo ou a outros que se alimentam de carne ou não. Quando esse sentimento se esvai dissolvido no amor, começa a sutilizar a nossa própria carne, que então deixa de sofrer com o nosso próprio julgamento.

O espelho de nós mesmos são as nossas emoções. O julgamento e as crenças que carregamos, são as nossas próprias raízes a serem purificadas. Então aquele que se revolta, que julga e que culpa os costumes de outros na forma de viver, de se alimentar, ou mesmo de amar, é doente de alma. Carrega as dores e o sofrimento que vê refletido diante de si e que condena. Mas não é capaz de identificar essa doença dentro de si mesmo.

Essa doença, é a mais grave e difícil de ser dissolvida, pois é alimentada pelo ego. Pois então aquele que desperta para o amor, começa a caminhada para a cura. Aquele que condena, e não é capaz de ver diante de si o seu espelho, ainda não perdoou a si mesmo pelos próprios atos, e trata a si com a mesma brutalidade no olhar com que vê o que se apresenta diante de seus olhos.

Quando o sentimento despertado no coração ao ver um sacrifício animal é de ira, de revolta, esse é apenas o reflexo da nossa ira, da nossa violência interior. O sentimento de revolta para com aqueles que cometem os atos de crueldade diante de nossos olhos, é apenas a revolta que carregamos dentro de nós mesmos, e que necessita ser exposta, ser aceita e compreendida, para então iniciarmos o processo de cura.

Aqueles, portanto, que não se alimentam de carne porque se revoltam diante de atos de crueldade contra os animais no momento do abate, ou mesmo na forma com que vivem nos criadouros, carregam as dores que veem diante de si dentro de seu próprio coração. Enganam-se ao pensar que se identificam com a vítima, com o animal que morre, mas sim, se identificam com aquele que mata, com aquele que comete a violência. Pois afinal é esse matador que é colocado diante de si e que causa desconforto, que causa repulsa e ódio.

Esse sentimento quando identificado, deve ser observado dentro de si. É quando o olhar deve se voltar para dentro e os olhos se fecharem para as distrações mundanas, para as razões e justificativas da mente. Todo sentimento desperto dentro de si de não aceitação do que é visto, é o que não aceitamos ver dentro de nós. Isso é uma regra geral. Assim funcionam os nossos sentimentos.

Mas muitas vezes não aceitamos esse olhar interior, e passamos uma vida toda levantando a bandeira do vegetarianismo apenas porque encontramos um movimento que nos afirma mais ainda que estamos na nossa razão. Em nenhum momento passamos de observador externo para interno, e procuramos descobrir a raiz doente dentro de nós mesmos, que nos impede de irradiar amor ao que vemos, irradiando ódio e revolta.

A paz, quando alcançada dentro do ser, fará com que naturalmente se afaste da alimentação carnívora, mas antes disso terá de vir a aceitação e o amor pela vida. E quando dizemos vida, dizemos também daqueles que se apresentam como os matadores, os cruéis personagens que viera a cumprir os papéis daqueles que cometem as crueldades que necessitávamos observar com os nossos olhos para então estarmos obrigatoriamente olhando ao que nos impede de amar.

Afinal, não é da natureza humana impedir o irradiar do amor por qualquer que seja o ser. Mesmo que esteja apenas incorporado em um papel de crueldade, esse personagem é uma máscara vestida para nos trazer o aprendizado, e a oportunidade de olharmos para aquilo que negamos.

Dessa forma, o impulso inicial é de ira, e posteriormente de fuga, de afastamento de tudo o que pode despertar esse sentimento, pois ainda não sabemos lidar com ele. Paramos de nos alimentar de carne porque não aceitamos irradiar amor a todo esse sistema, e condenamos em nós mesmos essa atitude, a de levar uma vida carnívora.

O que digo não é que se alimentar de carne é certo ou errado, mas sim que é apenas todo um enredo criado pela mente, capaz de nos manter presos nesse dilema, nessa briga e busca por respostas e nos afastar da nossa verdadeira busca, a nossa purificação e cura das restrições de nossa alma. Essas são apenas distrações do ego, que alimenta a malha planetária de sofrimento a repetir e repetir diversas vezes a nós que algo é certo ou errado, que pode ou não pode, que precisamos ou não precisamos fazer algo. Mas que na verdade são apenas ilusões, distrações da matéria, alimentadas por nossos medos. O medo de olhar para dentro de nós mesmos.

O medo de olhar a realidade que vive em nós, nos afasta do desprendimento da busca. Estamos sempre a buscar por respostas, a criar novas perguntas, a julgar, a condenar, a criar regras, buscar explicações de tudo o que ocorre diante de nós. Quando na verdade o caminho seria apenas o de soltar, o de deixar ir, de libertar todo esse processo mental que nos mantém tão ocupados.

O fato de trazermos o questionamento a respeito da alimentação carnívora, é apenas uma jogada da mente a levantar mais um dilema que não pode ser respondido da forma que foi questionado, mas que deve ser descoberto por cada um, dentro da sua capacidade e possibilidade de aceitação de si mesmo, e das informações que são colocadas diante de si.

A vida é um livro aberto, uma maravilhosa enciclopédia de conhecimento, que a todo tempo nos mostra as oportunidades de cura e de elevação. Mas nós buscamos apenas a elevação, nos recusamos a olhar para as oportunidades de cura, fechamos os olhos a ela e pulamos um salto grande em direção a elevação. E então a vida novamente volta a repetir as experiências, a nos mostrar a oportunidade de cura que foi pulada, mas que é necessária para que a elevação seja alcançada.

Essa elevação virá de forma gradativa, e nunca quando buscada. Pois quando buscada está apenas a significar que é uma nova tentativa de pular alguma cura que se apresenta. E, portanto, a busca é inútil, pois ela nos afasta do objetivo final.

O buscador pergunta se precisa deixar de comer carne para se elevar. Mas a verdadeira pergunta deveria ser: Devo deixar de me alimentar para viver?

Afinal de contas, quando a palavra carne é trazida, há o julgamento, e seria necessário compreender a profundidade do porque traz exatamente esse alimento. Afinal de contas é necessário se alimentar para viver? Sim, é necessário se alimentar de energia, daquela energia que o seu corpo recebe de forma mais leve e equilibrada, respeitando o seu momento, o aqui e agora, liberto de julgamentos e imposições. Amando a si mesmo, a tudo e a todos. Assim você se alimenta de energia, seja da forma que ela se apresentar, mas apenas aceitando que é simplesmente uma forma de energia.

Não precisamos deixar de comer nada para viver, precisamos abandonar o pensamento de que precisamos de algo. Mas sem imposição. Afinal de contas até o ato de precisar abandonar o pensamento já é uma brutalidade contra si mesmo. Então permita apenas que o ato de precisar seja dissolvido no amor.


Michele Martini - 19 de fevereiro de 2021.

Fonte: www.pazetransformacao.com.br