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sexta-feira, 30 de abril de 2021

A Energia dos Alimentos - Um guia para a alimentação intuitiva - Cap 22 - Podemos nos alimentar de energia?


Enquanto carregamos em nossas mentes, as restrições da matéria, e continuamos a repetir padrões de comportamento, nos alimentaremos apenas daquilo que desperta os nossos instintos. A energia sempre estará contida no alimento, mas não estamos a buscar por ela, e sim pelas sensações que a matéria nos oferece na ingestão dele, como o sabor, o aroma, a forma.

Trazemos a crença de que o alimento que vemos e nos parece apetitoso é aquele que trará desequilíbrio do corpo, mas que fará bem à mente, ao lado emocional. Nos alimentamos para apaziguar-nos com as nossas emoções, que gritam por atenção, que despertam ações e comportamentos, e que nos deixam tristes, felizes, ansiosos, solitários... todas essas emoções ditam as nossas vidas, e também consequentemente ditam aquilo que nos alimentaremos.

Já temos nos alimentado de energia desde que nascemos, a questão é que saímos de um nível onde sabíamos nos alimentar da energia que não está contida no alimento, mas sim na experiencia da vida, e acabamos desaprendendo essa mágica, essa alquimia.

Enquanto bebês, nos alimentávamos de amor, do colo materno, de afeto, da energia do ambiente que vivíamos, da natureza, do contato com os animais. Perceba como uma criança sabe absorver a energia dos ambientes, ela procura pelo contato com a energia, ela procura pelas experiências, ela procura tocar, cheirar, observar, e as vezes traz o objeto de seu apreço à boca para que possa então sentir o sabor, pois está sendo atraída para aquela energia.

É intensamente sensível e se deixa levar pela energia de tudo o que se apresenta. Quando recebe um sorriso, reage como um espelho sorrindo também, e isso ocorre porque está sensível e atenta a tudo o que ocorre em sua volta, desde as mais ínfimas manifestações de energia. Ela se alimenta do sorriso que recebe de alguém, ela sente a sua energia e então devido ao seu estado de extrema sensibilidade, transborda essa energia para fora de seu próprio ser, exibindo também um sorriso para quem quiser receber.

Essa é a nossa natureza, e que vamos perdendo com o passar dos anos e das experiencias. Mas nascemos com todos os dons e a capacidade de nos alimentar de energia. Quando dizemos que nos alimentamos de energia, não carregamos julgamentos, impressões pré-formatadas em nossas mentes. Vivemos livres a experimentar e a sentir.

A mente está vazia de condenações, de escolhas, e seguimos apenas pela intuição, atraídos pela energia que se apresenta, e que despertará alguma emoção, alegria, satisfação. Estamos atentos em nosso meio a explorar. Veremos exemplos de baixa energética, veremos o sofrimento, veremos a dor e a escuridão, mas veremos também a luz, veremos a energia positiva a pulsar em algum canto, veremos um sorriso e palavras belas, veremos uma pequena manifestação de vida, de natureza, um animal. Saberemos direcionar o nosso olhar apenas àquilo que é belo e sentir a luz que nos atrai para estabelecer aquele contato, e esse contato é o nosso alimento energético.

Aprendemos desde que existimos, desde o ventre materno, como seres multidimensionais, a procurar estabelecer conexão com o que nos atrai energeticamente, sem mesmo poder ver com os olhos da matéria o que está no externo. Mas sentimos o canto maternal ou as palavras do pai, sentimos os ambientes onde somos inseridos mesmo sem podermos ver, sentimos e agimos conforme aquilo a que fomos expostos, direcionando também a nossa vontade.

Estamos ainda hoje nessa mesma experiência, a sentir, a promover momentos em que tomamos contato com aquilo que nos atrai e nos faz bem, que carrega a energia em nós para o lado positivo. Estamos sempre buscando esse contato. Mas a materialização da nossa sensibilidade na mente, quando a mente procura materializar o que sentimos em alguma forma já conhecida, muitas vezes nos perdemos nessa busca, pois a mente ainda não trabalha para a consciência e sim para repetir padrões e projetar imagens para nós de experiencias anteriores que nem sempre foram de luz e amor.

A mente guarda informações de experiencias boas e ruins. Quando sentimos que necessitamos de energia, a mente busca no histórico de experiencia os momentos em que nos sentimos reenergizados, e então nos mostra uma possibilidade de ação. Se em algum momento da vida fomos a uma casa de campo, e lá nos sentimos muito bem, estabelecemos contato com a natureza absorvendo sua energia pura e benéfica, então a informação que virá a nós é de que repetir essa experiencia nos trará essa mesma sensação.

Mas quando pegamos o carro e dirigimos até esse local, chegamos lá e nos deparamos com uma indústria, que foi construída nesse mesmo endereço, mas que não corresponde com a recordação trazida pela nossa mente. E então, o que faremos?

A única possibilidade de nos sentirmos bem é através de uma lembrança? De algo que passou?

O que passou de fato e a experiencia que vivemos foi única e apenas gerou a emoção que ficou armazenada porque estávamos em um estado receptivo, prontos a receber boas energias. Mas que podemos ter em qualquer lugar, sem necessidade de irmos até o campo para reviver essa mesma sensação.

A busca sempre será incessante enquanto acessarmos as informações e impressões registradas na mente, pois passaremos uma vida toda procurando reviver experiencias, repetindo padrões.

Um belo dia estávamos no parque. Reunidos com a família, nós marcamos um picnic. Estávamos todos reunidos em alegria. Era um dia lindo, de sol e poucas nuvens esparsas no céu. Levamos nosso cão para brincar conosco no amplo gramado e brincamos de bola. Todos muito felizes e reluzentes em alegria. Éramos adolescentes, na idade aproximada de catorze anos. Enfim, todo o cenário era belo e de alegria, mas carregávamos dentro de nós a insatisfação. Naquele dia tínhamos brigado com o nosso melhor amigo da escola, e tudo estava ruim. Nem mesmo esse belo dia com a família estava agradável, pois queríamos estar com aquele amigo que brigamos, para conversar e fazer as pazes. Permanecemos o dia todo afastados da experiencia familiar. Apenas observávamos todos felizes, o sol delicioso e o céu azul. Observávamos o cão a brincar no gramado e todos se divertindo, mas ainda assim estávamos inseridos em uma bolha energética de tristeza e preocupação, pensando em quando poderíamos nos livrar daquele momento em família para conversar com o amigo e acertar tudo.

Apesar da cena do parque ser bela e carregada de energias benéficas, não fomos capazes de nos conectar a elas, pois estávamos inseridos em um padrão mental de sofrimento. Portanto, ao recordarmos essa experiencia, não buscaremos repeti-la, ainda que estivesse carregada de boas energias no ambiente, mas não fomos capazes de senti-las.

Esse mesmo comportamento move as nossas vidas repetidamente. Buscamos momentos que de certa forma recordamos que trouxeram boas energias. Mas na verdade a boa energia estava contida dentro de nós mesmos. Pois já não éramos como o bebê livre de julgamento e impressões, o bebê era capaz de viver cada momento, sentir e aproveitar a energia que está contida no momento presente, pois não era um prisioneiro da mente.

Nós vivemos apenas onde a nossa mente decide estar. Se direcionamos a nossa mente ao momento presente, poderemos observar, sentir, experienciar tudo o que se apresenta. Mas da mesma forma projetamos a mente a uma recordação que nem sempre nos trará boas energias. E assim deixamos de viver o aqui e agora.

Já nos alimentamos de energia, mas nem sempre a energia é boa para nós. Pois repetidamente fechamos os olhos à beleza que se coloca diante de nós para acessar as recordações da mente, os padrões que já deveriam ter sido dissolvidos, e os sentimentos que vem junto com eles.

Então, para iniciar um bom trabalho de manipular as energias, necessitamos nos tornar mestre de nós mesmos. Esse é o primeiro passo. Aprendermos a dominar as emoções, a observar e permitir que se dissolvam para que possamos incorporar o aqui e agora.

Nos alimentamos das energias que quisermos, necessita apenas escolhermos de qual prato nos servir nesse belo buffet de magia da vida.


Michele Martini - 30 de abril de 2021.

Fonte: www.pazetransformacao.com.br