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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A Energia dos Alimentos - Um guia para a alimentação intuitiva - Cap 9 - A carne tem vida?


A carne, assim como todos as formas de manifestação da vida, tem vida. Tem energia vital, mas que pode ser transformada quando provida ou desprovida de alma. Como um vegetal que após entrar em estado de decomposição se transforma em outra forma de energia. Assim, a carne tem vida enquanto parte do corpo físico, habitat provisório de uma alma, como também após a desconexão da alma.

A alimentação vegetariana é também algo que trabalha na obtenção da energia, através dos alimentos vegetais após a desconexão com o fio que os ligava ao processo de crescimento enquanto manifestados no planeta, e a crescer e expandir na mesma forma vegetal a qual vieram.

Mas ocorre que qualquer tipo de energia, mesmo a carne, quando proveniente de um ser que já não apresenta mais a centelha divina, que não têm alma, ainda assim tem vida.

A questão é se essa vida restante desse pedaço de energia é adequada ou suficiente para a alimentação.

Voltamos à questão dos animais, como os abutres, que se alimentam de carne já desprovida de vida, que já não mais é a mesma energia que habitava aquele pedaço de existência enquanto carregando uma alma, mas que ainda é energia, transformada através da mágica do processo de decomposição, que faz nascerem outras formas de vida e energia e que alimentam esse animal.

Outros animais se alimentam do animal recém morto ou mesmo matam o animal para se alimentarem. Nesse momento a energia contida nessa carne é diferente daquela que o abutre busca se alimentar, e também é diferente da energia que existia quando acompanhada de uma alma a habitar esse corpo.

Pois então, o homem, ao se alimentar de carne, assim como os animais, encontra a forma de conservar, busca os momentos certos para ingeri-la. Ingere a fatia de energia necessária ao seu organismo.

A questão energética ligada a carne é um assunto que deve ser explorado em suas múltiplas dimensões, pois é carregada de preconceito, traumas, opiniões e ideias arraigadas em personalidades que conservam o amor pela vida, e a transformam em uma forma diferenciada de se manifestar, que é o amor pelo ser que carregou aquele corpo, o amor por aquela alma. Assim ocorre o processo mental em alguns que se forçam a não ingerir essa energia, mas ainda vibram nela. Ou seja, ainda estão inseridos em uma realidade de dor e sofrimento, vibram como a carne, mas devido ao preconceito, se negam a ingeri-la, e por isso adoecem.

Mas então como trabalhar essa aceitação dentro de si mesmo? Como levar a energia da carne para dentro de um organismo? Porque quando em estado de purificação e leveza de alma, não se consegue alimentar-se de carne?

Sabemos que juntamente com todas as formas de vida há o registro de alma, as recordações e impressões que permanecem atreladas ao corpo. Esse corpo pode ser a manifestação de um vegetal como também de um animal, e mesmo do corpo do ser humano.

Esse corpo, quando do momento do seu desencarne, do processo de separação entre alma e corpo físico, e até mesmo dos momentos que viveu durante toda a última encarnação, ficam registrados nesta alma, e acoplados nesse corpo físico mesmo após o seu desencarne. Muito evoluído em consciência deve ser um ser que não deixa as impressões físicas do corpo registradas em sua alma, e que não fica acoplado ao corpo físico ainda depois do desencarne, dificultando o processo de desconexão.

O que um faz um homem permanecer conectado ao corpo físico pode ser desde as impressões recebidas durante a vida, uma doença que carregava, uma dor, ou mesmo o sofrimento do momento do desencarne, que ainda pode ser sentido mesmo após o desencarne, quando ainda permanece ligado a esse corpo, como também pode permanecer conectado ao corpo por não ter trabalhado as questões da consciência, a libertação da matéria, e a compreensão do processo de toda a vida.

A segunda questão, atrelada ao despertar da consciência e o desapego à matéria, é algo completamente relacionado aos seres que possuem consciência, e que então acabam por criar em suas mentes os processos obsessivos que os fazem carregar comportamentos e sofrimentos, a afirmar uma personalidade que decidiram manifestar. Mas a primeira questão, completamente animal e física, é apenas um reflexo do que foi sentido a nível físico, e não a nível de consciência, e que pode ocorrer com todos os seres, desde uma planta até mesmo em um animal, ou um copo com água, ou seja, pode ocorrer com todas as formas de energia.

Todo o sentimento que é projetado em direção ao que existe, e simplesmente por existir é matéria e é vida, fica registrado naquele pedaço de vida, e torna-se parte de sua história, a construir a sua realidade.

Sabemos que quando direcionamos o sentimento de gratidão e amor à nossa casa, ao nosso lar, ele prosperará. Quando direcionamos esse mesmo sentimento ao nosso alimento, aquele que foi retirado amorosamente do galho da árvore, aquela planta que foi cultivada com amor, e do momento de sua colheita foi recebida com gratidão e bem querer, estará carregada de energias vitais benéficas ao nosso organismo.

Como tratar então o processo de desencarne dos animais? Eles são criados para servirem de alimento, contra a sua natureza, sabendo que a sua natureza é diferente dos vegetais, que são criados para viverem em todos os ambientes e florescerem e frutificarem em abundância para suprir a vida, mas os animais vivem desprovidos de seu direito de ser natural. Permanecem por toda uma vida habitando regiões carregadas de sofrimento e dor, vivendo em locais sem receber amor, sem contato amoroso de sua espécie, sem a liberdade de ir e vir, de se locomoverem.

Dessa forma somos muito parecidos com os animais, pois um homem que supostamente fosse criado por toda uma vida para o objetivo de alimentar alguma sociedade, mesmo que desprovido do processo mental que o levará ao abismo antes mesmo do seu abate, ele não produzirá uma carne saudável, simplesmente por não ser permitido que viva a sua vida de forma natural.

Um homem que viva toda a sua vida como todos nós vivemos, com o seu trabalho, a sua família, e toda a sua rotina, e que ao final, na velhice, for abatido em silêncio, sem tomar conhecimento do que se trata aquele momento, se tiver recebido muito amor por toda uma vida, certamente produzirá uma carne saudável. Pois uma carne como essa é carregada de energia amorosa e de um ser que foi livre, viveu a sua natureza por toda a vida.

Mas então o que podemos dizer dos animais e da forma que a carne é produzida? Mesmo o nome “produzida” nos leva a reflexão de como transformamos um ser vivo livre, em um produto. Afinal, os seres vivos podem ser considerados como produtos?

A questão energética ligada à carne é muito delicada, pois trata de amor, trata de liberdade, trata de paz e equilíbrio, que todos nós buscamos, mas não é o que semeamos.

A carne, da forma que é produzida hoje, é carregada de energias densas e prejudiciais ao organismo. Carrega seus nutrientes apenas como um repositório de matéria, mas a energia que carrega é prejudicial ao nosso sistema como um todo.

Ocorre que alguns estão trabalhando em processos de equilíbrio em seu sistema corporal, e então vibram na mesma sintonia dessa energia. Carregam formas de pensar e de agir de uma sociedade antiga, que faz dos dias de hoje repetições de um passado que já se foi. De costumes e de pensamentos que não são mais alinhados com a Nova Era. Esses pensadores trazem o gosto pela carne, afinam com a energia do sofrimento pois eles mesmos sofrem nos seus dias atuais, e trilham a mesma busca deste animal, a busca pela liberdade de expressão e de ser o que é.

Como uma relação de simbiose, são atraídos para esse pequeno pedaço de energia que carrega tantas informações, as quais acabam por atrair em ressonância para uma completa união e regeneração das energias que estão em baixa quantidade para continuarem as suas rotinas. Mas essas rotinas são como a daquele ser que gerou a carne, carregadas de um registro de informações de quem busca pela própria liberdade e paz, pela própria integridade em ser o que é. A busca por encontrarem a si mesmos e se soltarem das grades às quais se prenderam.

O sentimento que faz com que sejamos atraídos à carne, é apenas uma relação de ressonância energética, como já foi explicado, e que ocorre dentro da regra geral de como nos alimentamos. Portanto não se trata de algo que é certo ou errado, mas apenas algo que é a perfeita ressonância daquele ser, que ainda nega o que é, nega a sua natureza e o seu propósito, segue inserido em uma malha de ilusão que é a sua própria vida, recheada de falsas impressões e enganos, e que serão percebidos na medida que começar a trabalhar o próprio despertar.

Por isso que os que despertam verdadeiramente para o Eu Sou, não se alimentam de carne. Não ressoam com essa energia, não trabalham mais nessa busca, se libertaram. Esses são os que não se alimentam, mas são desprovidos de preconceitos e julgamentos, não necessitam dessa energia e, portanto, não haverá exames clínicos que demonstrem faltas de vitaminas, mas sim sempre uma saúde perfeita de todo o sistema. Que pode deixar os médicos tradicionais completamente surpresos, parecendo um milagre, mas que é real, como a mágica da ressonância das energias.

O que precisamos é de algo que ressoe com a nossa energia, que seja unido a nós em perfeito complemento de negativo com positivo na mesma faixa de vibração energética. E por isso a carne carregada de energia e registros de sofrimento, ânsia por libertação e dor, é sim ressonante com a busca de muitos de nós, que acabamos por vir a essa experiência a nos libertarmos de tantas restrições, que carregamos por tantas eras, e que serão também trabalhadas na energia do amor, perdão e gratidão. Lembrando e repetindo que sentimos muito, pedindo que nos perdoem, agradecendo, e declarando o nosso amor pela vida, pela experiência da forma que se apresenta. Sem julgamento ou pré concepções, pois viemos todos a nos libertar.

Estamos envolvidos em um mesmo padrão. A busca pela libertação dos animais é a mesma busca que a nossa, e então começamos a perceber que esse sentimento, essa ânsia pela libertação e ser o que é, acaba por alimentar uma grande malha planetária que sempre nos fará o chamado, a provocação, a nos mostrar o que nos incomoda, a nos incitar para que ocorra o desconforto com o que vivemos, com as nossas próprias vidas e o meio onde vivemos. Esses questionamentos todos são os chamados ao despertar de consciência, que é algo que transcenderá toda a prisão, toda a crueldade que fazemos conosco mesmos a nos impedirmos de mudar, de transcender, de deixar atrás velhos hábitos e costumes.

Quando transcendemos a personalidade e o que nos une a ela, seremos realmente livres. E a questão da carne será apenas o observar a vida como ela é, sem julgamento, e sabendo que dentro desse elo, desse sistema, cada um tem a sua missão, a sua função, a manter o equilíbrio e a despertar a consciência de tantos. Ela ainda fará parte da vida de tantos, que estão nesse processo de libertação.

A carne está para nos causar o sentimento de desconforto, daqueles que ao mesmo tempo amam, abatem. Esse ato é percebido dentro das relações, dentro da relação consigo mesmo, pois há sempre a busca pelo amor próprio, pela satisfação e felicidade, mas abatemos todas as possibilidades de manifestação dessa felicidade, nos dando espaço a desfrutar apenas de poucos momentos de alegria dentro de uma rotina de sofrimento que escolhemos a nós. Ainda necessitamos aprender a amar a nós mesmos, para que encerre a repetição de sofrimento interno, e o ato de masoquismo que a humanidade decidiu viver, por escolha própria.

A carne nos provoca, porque nos mostra o processo que ocorre dentro de nós, a transcender a personalidade e a dor, a nos incitar a soltar a nossa mania de nos punirmos e levarmos uma vida de sofrimento, quando podemos simplesmente dar um basta e sermos livres.


Michele Martini - 15 de janeiro de 2020.

Fonte: www.pazetransformacao.com.br