segunda-feira, 10 de julho de 2017

5. Porque projetamos nos outros as causas do nosso sofrimento?


Esse assunto é algo que hoje não é tratado com a devida seriedade. Pois o fato de projetarmos nos outros a causa de nossas insatisfações, incômodos e tristeza, é aquilo que cria o conhecido foco de doenças. Que pode ser manifestado através de várias doenças, comumente o câncer.

Muitos trazem dores, insatisfações, mágoas, que, ao invés de serem trabalhadas olhando para dentro de si, são transferidas para o externo, projetadas em alguém. Aquele que assumirá, dentro de nossa mente, a culpa pela nossa infelicidade.


A tendência do ser humano, é sempre projetar em outrem a causa do sofrimento, pois esse é um instinto natural de defesa, que os impede de olhar para aquilo que está há tempo guardado e que seria causa de profunda dor ao ser remexido, exposto.

As experiências vividas em uma mesma encarnação, ou mesmo em encarnações anteriores, guardam profundas cicatrizes, que permanecem escondidas por longos períodos, até que as suas experiências na matéria os alimente em sabedoria suficiente a enfrentar esses focos de dor.

Enquanto as dores não são olhadas para o lado de dentro, e sim projetadas para o externo, em outras pessoas como culpadas, o foco da dor permanece intocado, guardado dentro de cada um de vocês.

A projeção mental necessária para trabalhar esses aspectos há muito tempo armazenados em seus registros de alma, é alcançada apenas através da experiência, com a vivencia na matéria, e a compreensão vai se abrindo aos poucos, para que adquiram a maturidade suficiente a olhar para essas dores.

Vocês primeiramente são deixados para agirem conforme o ego dita. Agem de maneira a colocar realmente nos outros a culpa pelo seu sofrimento. Chegam a pontos extremos onde podem ferir pessoas em seus sentimentos, podem causar rompimentos, separações, brigas, discussões, acusações impensadas e ofensas. Tudo isso fica também armazenado em seu registro a ser aglutinado como sabedoria quando estiver preparado a transformar com a sua maturidade, todas essas informações em sabedoria.

O processo seguinte, quando há o despertar diante de tanto sofrimento de forma a se repetir em sua vida, é o arrependimento, a culpa. Vocês passam por períodos intensos onde se culpam por tudo o que ocorre em suas vidas. Colocam-se ainda na posição de vitimas. Mesmo ao assumir a responsabilidade, mas sentem-se vitima de vocês mesmos e do destino. Não há mais como projetar a responsabilidade pelo seu sofrimento em outras pessoas, pois a vida colocou diante de vocês de forma repetida a tal ponto, que projetar a responsabilidade em outros seria culpar todo o planeta ou todo o meio onde vive pela sua própria infelicidade.

Esse sentimento é alimentado por aquele que ainda se nega a olhar para dentro de si mesmo. Ele não consegue olhar o planeta, as pessoas, como fontes de luz, como sementes de criação divina, assim como ele mesmo.

Como conseguir atravessar essa ponte que o separa do ato de culpar o outro e chegar do outro lado onde você passa a aceitar que é também o responsável pelo seu próprio sofrimento, mas livre de lágrimas e lamentações? Apenas através do sentimento de doação, através dos atos de doar amor, de se voluntariar a uma causa, de orar, de servir como discípulo, pedindo ajuda ao seu Guru, ao seu Deus, para que o ajude, entregando as suas dores, a sua angustia, rendendo-se à verdade de que o sentimento de insatisfação e sofrimento habita apenas dentro de si e não no externo, e então admitindo a Deus que você é o causador do seu próprio sofrimento, e pedindo a ele que lhe mostre o caminho para curar esse ciclo de repetições que o coloca sempre a sofrer.

Você trabalha consigo mesmo, em seu interior, para trazer mais paz ao seu dia. Mas essa paz é conquistada apenas através da doação do amor. Você aprende a doar amor, a ser grato pela sua vida e pela oportunidade de servir, e então aprende, aos poucos, a despertar para a única realidade: Você e todos em sua volta são sementes divinas de luz, e manifestação do puro amor.

Você passa a perceber na dor dos outros as suas próprias dores. Na índia usamos o termo Puja, que é o ato de oferecer graças, de doar amor ao seu Guru, de agradecer. Esse é o sentimento do discípulo, que se rende a receber o amor divino, para curar a sua dor interior. Esse é o momento onde receberá o alimento da alma, necessário para que recupere as forças, para que possa levar a outros um pouco desse amor. Pois onde o amor é recebido, ele também é doado.

O amor é energia. Ele flui por todas as formas de manifestação de vida no planeta. Ele passa por você, não fica guardado em você. Você recebe o amor, e doa a outros. E assim você se transforma em um perfeito canal de amor. Canal de manifestação do divino.

Dessa forma, não será mais possível projetar nos outros a causa do seu sofrimento. Pois você passa a ver o outro como um ponto de luz e amor. E que é apenas igual a você, dentro da sua própria história de aprendizado, mas que muitas vezes escolhe estradas diferentes da sua para o seu próprio crescimento. Da mesma forma exatamente como você, que manifesta a luz divina à sua maneira, e onde preferir. Mas nem sempre será direcionada a você. Então você percebe a oportunidade de trabalhar com as energias nessas situações.

Onde há energia de culpa, de sofrimento, você, de forma inteligente e ancorado no seu coração, criativamente trabalha essa energia e a transforma em beleza, em perdão, em paz e em amor. Você transforma o sofrimento em gratidão, a olhar para tudo o que existe em sua volta como um livro aberto a ser examinado, estudado, e absorvido como sabedoria para o seu próprio crescimento.

A projeção da causa do seu sofrimento nos outros, é natural do humano que não se abriu ao coração, que está vivendo agarrado no ego. Que é nada mais do que o instinto de sobrevivência, e que reafirma a você o tempo todo que você é uma personalidade.

Você aprende, gradativamente através das experiências, a desapegar do ego, a desapegar da personalidade, e receber o amor.

Michele Martini
Fonte: www.pazetransformacao.com.br