domingo, 23 de julho de 2017

15. Como ver aqueles que causam sofrimento com amor?


Quando vemos o divino em nós, passamos a ver também o divino no interior de cada ser, a resplandecer em luz, mesmo naqueles atos que são alvos de críticas e julgamentos.

Todas as ações dos seres, divinos em sua essência, trazem o propósito da cura e do despertar da verdade em cada um. E por isso, mesmos os atos vistos como aqueles que causam sofrimento, são na verdade necessários para que processos de cura se deem.


Todas as ações, sem exceção, são planejadas e executadas de forma perfeita e em sincronia com o propósito maior divino. Algumas são percebidas por vocês e notadas como coincidências, outras são manifestadas da sua própria natureza, mas não são vistas em um aspecto mais amplo, compreendendo que são de fato necessárias para que outros processos, além de vossa compreensão, ocorram.

As manifestações do que é entendido como mal, é o despertar, o chamado de alguns para aquilo que não é olhado. É a oportunidade de regeneração, de transformação, e tudo atende a um propósito supremo.

Quando você passa a compreender a vida e o funcionamento de tudo dessa forma, então não terá como julgar ou deixar de amar alguém que supostamente causaria sofrimento. Pois o causador do sofrimento é o agente transformador da mudança e que promove a cura.

Sabemos que uma folha não cai sem a vontade de Deus, e dessa forma vocês entendem. Mas na verdade essa frase apenas resume a lei maior, da atração, da sincronicidade, da ressonância.

Enquanto de um lado do planeta, um ser necessita ser transformado em um aspecto de raiva, por exemplo, do outro ocorrem profundas mudanças em aspectos sociais. Tudo está unido em um grande propósito e se encaixa para promover a unificação, que é o grande objetivo da humanidade. Todos se tornarem Um.

A dificuldade encontrada por aquele que não consegue dominar a sua ira, será amenizada com o outro, que traz a possibilidade de regeneração a esse primeiro, que através da aproximação desse segundo personagem e como consequência de seus atos, fará com que o primeiro observe a possibilidade de transformação.

Sabemos que temos dois caminhos a trilhar para a cura e a transformação, a dor e o amor. E quando fechamos os olhos ao caminho do amor, é necessário que sigamos o caminho mais intenso da dor, multiplicando os sentimentos e impulsos inferiores ao extremo, até que se torne verdadeiramente insuportável convivermos com esse aspecto que devemos nos desvincular.

Muitas vezes aquele ser que é implacável em sua ira, mas que diante de pessoas que o oferecem amor, não é capaz de manifestar a sua transformação, terá que trilhar o caminho contrário, e através da ressonância, se aproximarão dele aqueles personagens que contribuirão para aumentar a sua ira, e muitas vezes a forma para que isso aconteça é vista como sofrimento.

Por exemplo: se um ser se nega a receber o amor, e dominar a sua ira, ele iniciará através da atração da sua própria energia, a aproximação daqueles que tem a ira em maior ênfase em suas personalidades. De fato, será levado ao fundo do poço, recebendo todas as dores da vida, sofrendo todas as consequências das suas escolhas, convivendo com aqueles que despertarão nele os aspectos mais inferiores de sua personalidade, para que então sejam expostos e curados.

Esses aspectos inferiores serão curados quando expostos, isso é fato. Mas para que sejam expostos, é necessário o agente transformador. E esse é aquele que é visto como o malvado da história, o criminoso, o inimigo, o que causa sofrimento alheio. Mas que é a única forma daquele primeiro ser encontrar a sua própria cura. Pois apenas através da exposição de toda a sua ira, é que ele de fato se afogará em seu ódio, e não mais suportará respirar nesse ambiente criado por si mesmo.

Assim vemos muitos de vocês, que por exemplo se envolvem em ambientes pesados, com práticas que denigrem a própria imagem, estabelecem relacionamentos interpessoais que fazem com que você realmente continue a se afundar na vida. E então a família o vê como um caso perdido, e veem aqueles com quem você se relaciona, como os que o levam ao mau caminho. Mas não compreendem, que eles estão junto a ti para ressaltar o que você deve liberar, para que você alimente mais ainda em você mesmo, a confiança de que pode deixar sair os aspectos que sempre foram julgados por todos, mas que existem dentro de si.

Aqueles que convivem consigo nessa fase, farão com que você seja estimulado a ir pelo mau caminho, de fato. Mas que apenas dessa forma, indo por essa estrada é que poderá expor a si mesmo toda a sua própria escuridão. E aqueles que causam o seu sofrimento, o levando cada vez mais ao caminho escuro, de fato causarão sofrimento na sua vida, mas são os únicos capazes de promover a sua cura definitiva.

Portanto, como ver aqueles que lhe trazem a oportunidade de cura com qualquer sentimento que seja diferente de amor?

Quando a sua verdade é aceita por si mesmo, e começa a perceber a cura se tornando uma realidade em sua vida, é quando deve olhar para trás e reconhecer a divindade que está naqueles que estiveram ao seu lado na escuridão, mostrando a você como é sombria de fato, e como o seu lugar não era ali. Eles estiveram com você, como personagens da sua história, que proporcionaram a sua cura.

O sentimento para com esses, que muitas vezes ainda permanecerão nas suas próprias escuridões, mas que por uma breve fase da sua vida contribuíram para você descobrir os seus aspectos mais sombrios, para que fossem curados, é apenas de gratidão e amor.

Quando você se fortalece, estende as mãos àqueles que fizeram parte da sua história, mas permitindo que trilhem também a sua própria estrada de aprendizado, respeitando o seu livre-arbítrio, deixando que sigam com amor, apenas acompanhando com o seu olhar compassivo, assim como você também é recebido hoje envolvido pela sua própria luz.

Michele Martini
Fonte: www.pazetransformacao.com.br