sábado, 22 de julho de 2017

14. Como ser a nossa própria verdade?


Trazemos dentro de nós, já desde a infância, a cobrança por nos ajustarmos a padrões pré-estabelecidos da sociedade.

Esses padrões são aqueles que recebemos de forma intensa dos nossos pais, nas escolas onde estudamos. E que, a grosso exemplo, podemos refletir no fato de usarmos roupas, cortarmos ou não os cabelos, fazermos ou não a barba, vestirmos roupa de menino ou de menina, etc. Esses são exemplos pequenos, mas que podem ser expandidos de forma macro. Pois o mesmo condicionamento mental que nos mantém na prisão que criamos a nós mesmos, de seguir esses padrões, que são tão aceitos por nós que já deixamos de tentar mudá-los, e tomamos gosto por os seguir, há também aqueles outros padrões que por vezes não percebemos, mas que também estão gravados em nós, que nos repetem o tempo todo que podemos ou não podemos ser algo que realmente almejamos.


Passamos por muito tempo das nossas vidas, observando os exemplos que foram trazidos pelos nossos pais e pela sociedade. Estamos inseridos aqui, nessa experiência, que nos afirma a todo o tempo que é necessário receber um dinheiro e ter certo reconhecimento para que seja de fato feliz. É reafirmado a nós que o padrão de corpo físico aceito pela sociedade é aquele do ator da novela. Ou mesmo também ter aquele carro ou aquela casa, ter aquela imagem da família feliz, do comercial de margarina.

Mas tudo isso são padrões que foram criados por uma grande sociedade que acredita que para ser feliz é necessário segui-los. E nesse ambiente você foi inserido.

Pois bem, de onde nasce a necessidade da mulher de constituir família? Há o impulso natural que faz parte da natureza sexual do aspecto feminino de dar à luz um filho, de criar a vida. Mas há aquelas mulheres que passam anos de suas vidas perseguindo esse sonho e não o alcançam. Justamente porque não há uma regra. Mas a mulher foi ensinada de que há a regra que a obriga seguir certo padrão.

Assim também há a afirmação da sociedade que cobra do homem a postura do provedor do lar, daquele que traz o sustento à família. Daquele que sai para trabalhar e retorna com o sustento.

Todos esses padrões vêm de eras e eras de registros na matriz de condicionamento, na malha planetária, e é reafirmado pela sociedade em todas as gerações. E por isso, muitas pessoas que chegam a essa experiência para serem os transformadores, na forma de pensar padronizada e pré-programada, são vistos como os causadores da discórdia.

Esses são de fato os transformadores, mas sofrem as acusações daqueles que colocam sobre eles, e sobre toda a sociedade, a expectativa de que cumpram os papeis e imagens preestabelecidos.

Quem disse que é necessário morar em uma casa para ser feliz? A felicidade não pode ser alcançada por aquele que vive morando nas ruas? Porque ele não é digno de felicidade? Porque a humanidade em geral vê aquele que mora na rua com olhar de piedade e compaixão?

Há uma grande ponte que separa o ego da compaixão. Mas nesse ponto, se você observar mais a fundo a vida daquele que tem a casa e o carro, e olha o morador de rua. Esse mesmo ser que segue os padrões aceitos pela sociedade, não é feliz com a sua casa e a sua família, não é feliz com o seu emprego, e não é feliz com o seu carro.

Todos os bens materiais são temporários e ilusórios, criam a sensação mental de saciedade, mas que é provisória, pois logo surgirá o sentimento de fome emocional. Digo fome emocional, pois nada o completa, nada o nutre. Pode ser abençoado com uma vida abundante material, mas que não preenche o seu coração. Pois a verdadeira busca está no vazio. Há a necessidade do esvaziamento completo das necessidades, para então ser guiado para a sua verdade, que o levará a preencher novamente, mas apenas com aquilo que de fato o completará.

Mas não há erro nisso. Todos iniciamos a nossa jornada recebendo as mesmas programações, as mesmas afirmações. E haverá o momento do desajuste, onde seremos colocados diante do sentimento de desconforto e insatisfação com algo que não se completa em nossas vidas, e é nesse ponto que vemos desmoronar todo um império construído de ilusão dentro de nós mesmos.

É necessário renunciar ao posto de certas personalidades que criamos. Renunciar ao status de reconhecimento externo, para então virar o jogo da nossa própria vida, e buscar pela nossa verdadeira felicidade, que geralmente não atenderá a expectativa daqueles que conviveram conosco até o momento do chamado.

Quando recebemos o chamado, podemos optar em jogar tudo para o alto, e iniciar a busca pelo nosso verdadeiro propósito, ou podemos nos deixar ser levados pela maré, pela necessidade de agradar aos outros, pelo sentimento de estar sendo aceito pela sociedade, seguindo os padrões estabelecidos por eles.

Esse é o exemplo daquele que nasce com o sentimento de amar alguém do mesmo sexo. Mas que esconde esse sentimento por quase toda uma vida, para então tomar coragem de ser quem verdadeiramente é. Esse é o exemplo de alguém de coragem, que veio a transformar, a quebrar padrões pré-estabelecidos da sociedade, e buscar a sua verdadeira felicidade, mesmo que para isso deixe de agradar à sociedade. Pois a sociedade no geral é direcionada e movida pelo medo, o medo da quebra daqueles padrões que sempre acreditaram ser verdadeiros e firmes. Mas essa sociedade está a ruir.

Os impérios construídos sobre a base do medo, serão demolidos, para que o novo comece a resplandecer, desde aquela pequena raiz, até se tornar uma árvore robusta e forte, a qual nenhuma tempestade derrubará, pois terá nascido com a sustentação da verdade de cada um.

Podemos ver a estrutura da árvore como um resumo de como funciona a vida e a base da felicidade.

No tronco, que é a parte mais robusta da árvore, há um galho só, o tronco, e somente ele. Ele é forte, robusto, largo, ele representa a unidade. Da unidade, todos viemos. E ali encontramos a nossa força, a verdade que existe dentro de nós. Nunca encontraremos a nossa verdade interior enquanto nos olharmos como seres individuais, pois todos somos Um. A busca pela necessidade individual é a desconexão com a unidade, é o ego, o instinto de sobrevivência direcionando a nossa vida.

Então, desse tronco saem os galhos, milhares, e que vão representar cada um de nós.

Quão forte é um galho que está separado de uma árvore? Ele seca e morre.

Mas quão forte é um galho que está alinhado e crescendo da ligação com o tronco, com a unidade? Esse galho que está unido ao tronco, sempre crescerá, criará frutos e flores, resplandecerá criando mais galhos. E essa vida não tem fim.

Portanto, enquanto nos vermos como seres individuais, desconectados da unidade que é a integração de toda a vida, da visão de tudo e todos como seres unos, parte da criação, estaremos indo de encontro com a nossa própria verdade.

Essa integração com o todo, é trazida pelos mais antigos mestres da humanidade, que mostravam a unificação do planeta em Um, mas que foi esquecida nos escritos do passado. Pois o ego separa, e o que comanda hoje a grande malha energética é o medo e o ego, que não tem interesse em levar adiante as ideias de unificação.

Todos os grandes pensadores trouxeram a unidade, e nunca falaram em separação. Mas a humanidade se dividiu em castas, dogmas e religiões. E por isso, deixam de encontrar a sua verdade interior. Enquanto separados, serão apenas os galhos secos a ruir, para que então possam renascer das próprias cinzas a partir de um novo tronco, e daí sim, resplandecer a sua verdade e força interior.

Michele Martini
Fonte: www.pazetransformacao.com.br